Defesa de dissertação - Thainá Borges Santos

Título do trabalho:
“Interação inflamação-nutrição no câncer de esôfago: dinâmica de biomarcadores e implicações clínicas durante a quimioterapia”
Resumo:
Introdução: O câncer de esôfago está entre as neoplasias malignas com maior mortalidade global, frequentemente associado a complicações nutricionais e inflamatórias decorrentes tanto da própria doença quanto do tratamento antineoplásico. Alterações no estado nutricional e marcadores inflamatórios têm sido amplamente reconhecidos como fatores prognósticos importantes para a resposta terapêutica e a sobrevida. Nesse contexto, compreender a dinâmica entre o perfil nutricional e inflamatório durante o tratamento pode contribuir para estratégias mais eficazes de cuidado oncológico. Objetivo: Analisar a mudança do estado nutricional e sua associação com o perfil inflamatório de pacientes adultos com câncer de esôfago submetidos à quimioterapia ambulatorial. Métodos: Estudo observacional, longitudinal e prospectivo conduzido ao longo de três ciclos de quimioterapia (QT). As avaliações foram realizadas no primeiro e no terceiro ciclos, com intervalo médio de 21 dias. As variáveis analisadas incluíram peso, Índice de Massa Corporal (IMC), circunferência abdominal, circunferência da panturrilha e medidas antropométricas do braço. O estado nutricional foi classificado por meio da Avaliação Subjetiva Global Produzida pelo Próprio Paciente (ASG-PPP). Os biomarcadores inflamatórios (Proteína C Reativa, Razão Neutrófilo-Linfócito [RNL], Razão Plaqueta-Linfócito [RPL] e Razão Linfócito-Monócito [RLM]) foram mensurados a partir de duas amostras de plasma por ensaio imunoturbidimétrico de alta sensibilidade. Realizaram-se análises estatísticas descritivas e bivariadas, com nível de significância de 5%. Resultados: Foram incluídos 29 pacientes, dos quais 69% apresentaram risco nutricional. Esses pacientes tinham menor peso, IMC (p=0,008), medidas corporais reduzidas e menor força de preensão palmar. O risco nutricional foi mais prevalente em estágios avançados da doença, em homens (86,2%), idosos, sedentários (93,1%) e com histórico familiar de câncer (72,4%). O comprometimento nutricional impactou negativamente o estado físico e funcional (p<0,05). Os biomarcadores RPL, PCR e RNL apresentaram elevação significativa no terceiro ciclo (QT3), enquanto a RLM foi mais elevada nos pacientes sem risco nutricional. (p=0,027). Conclusão: O estado nutricional demonstrou influência significativa sobre a condição física e a saúde geral de pacientes com câncer de esôfago em quimioterapia ambulatorial. O risco nutricional foi predominante, especialmente entre idosos e mulheres, e associou-se a maior fragilidade física e possível comprometimento da resposta terapêutica. Estratégias de suporte nutricional durante a quimioterapia neoadjuvante podem reduzir a inflamação e toxicidades, contribuindo para melhores desfechos clínicos, o que reforça a importância de intervenções nutricionais individualizadas nessa população.
Discente:
Thainá Borges Santos
Orientador:
Luís Carlos Lopes Júnior
Oscar Geovanny Enriquez Martinez
Data da defesa:
04/04/2025.
Horário:
09h00.
Local:
Auditório do PPGS, Campus Maruípe, Ufes.