Sintomas depressivos em indivíduos transgêneros e cisgêneros: Um olhar comparativo sobre os fatores associados

Título do trabalho:
“Sintomas depressivos em indivíduos transgêneros e cisgêneros: Um olhar comparativo sobre os fatores associados”

Resumo:

Introdução: Pessoas transgênero possuem algum nível de incongruência de gênero, que por sua vez é caracterizada pelo desconforto psicológico causado pela discrepância entre sua identidade de gênero, sexo designado ao nascimento e/ou aparência física. A identidade transgênero comumente está associada ao estigma social, a vulnerabilidades estruturais e ao aumento de sintomas depressivos. Este estudo teve como objetivo analisar os fatores associados aos sintomas depressivos em indivíduos transgênero e compará-los com aqueles observados em indivíduos cisgênero residentes no estado do Espírito Santo. Métodos: Estudo transversal observacional, com amostragem snowball sampling. Os voluntários foram convidados a participar da pesquisa por meio da divulgação em mídias sociais, associações voltadas ao segmento LGBTQIAPN+ e usuários atendidos em ambulatório de diversidade de gênero entre os anos de 2021 a 2024. Para avaliar os sintomas depressivos foi utilizado o inventário de Beck, sendo classificados indivíduos com e sem sintomas depressivos. Foram analisadas variáveis sociodemográficas e de saúde, entre elas insônia, a partir da escala PROMIS, qualidade de vida a partir do questionário SF-6D, consumo de álcool e outras substâncias a partir da triagem ASSIST. As análises estatísticas foram realizadas no programa SPSS, versão 29,0 e no programa STATA, versão 18. Utilizou-se o teste de Kolmogorov-Smirnov para analisar a normalidade dos dados, teste T de Student e ou Mann Whitney, para comparar as variáveis independentes, com 2 categorias, ANOVA para variáveis com 3 ou mais categorias, Qui –quadrado particionado para variáveis categóricas e regressão linear multivariada para determinar a influência das variáveis independentes. O nível de significância adotado foi de 5% para todos os testes. Resultados: A amostra incluiu 123 participantes transgêneros e 79 cisgêneros, com idade média de 26 anos para ambos grupos. O grupo transgênero apresentou maior prevalência de desemprego (18,7% vs 1,3%), menor renda (65,8% vs 12,3%), escolaridade (79,7% vs 54,4%) e qualidade de vida (score 0,78 vs 0,8), além de maior proporção de sintomatologia depressiva (11,49% vs 7,80%) e comorbidades (29,3% vs 8,9%) em comparação ao grupo cisgênero. Participantes transgênero relataram também maior experiência de preconceito (89,4% vs 46,80%) e insônia, com esta última associada aos sintomas depressivos em ambos os grupos. Conclusão: Participantes transgêneros apresentaram níveis mais altos de sintomas depressivos, que foram associados a diferentes fatores entre os grupos. Além disso, a força do impacto desses fatores foi superior no grupo transgênero, o que sugere que esse segmento populacional requer abordagens específicas para atender às suas demandas únicas.

Discente:
Beatriz Souza Silva

Orientador:
José Luiz Marques Rocha
Valdete Regina Guandalini

Data da defesa:
28/03/2025.

Horário:
14h00.

Local:
Webconferência - https://meet.google.com/qcf-ween-wsa

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