Defesa de dissertação – João Vitor Moraes dos Santos

Título do trabalho:
“Padrões de Nutrientes Associados ao Diagnóstico de Depressão de Participantes da Coorte de Universidades Mineiras Plus (Cume+)"
Resumo:
Introdução: A depressão é um transtorno mental incapacitante e multifatorial. Além do tratamento farmacológico, a alimentação destaca-se na prevenção e manejo, por influenciar mecanismos neurobiológicos e inflamatórios ligados à saúde mental. Objetivo: avaliar a associação entre padrões de nutrientes e o diagnóstico de depressão em participantes da Coorte de Universidade Mineira Plus (CUME+). Método: Trata-se de um estudo transversal com 8.695 egressos de universidades federais, com dados coletados entre 2016 e 2022 por meio do questionário online. As variáveis de interesse foram sociodemográficas, antropométrica, de hábito de vida e saúde. O diagnóstico de depressão foi autorrelatado. Foi preenchido o questionário de frequência alimentar e identificado o padrão de nutrientes, pela análise de componentes principais, os nutrientes obtidos a partir da tabela do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, na ausência de informações foram utilizados a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos e a Nutrition Data System for Research. Os nutrientes foram ajustados pelo método residual. Utilizou-se regressão logística binária para a associação entre padrões de nutrientes e depressão, além disso, foram observados a associação em subgrupos. Ajustadas por sexo, idade, estado civil, escolaridade e renda (modelo 1) e também por todos desse modelo acrescidos do índice de massa corporal (IMC), antidepressivo, atividade física, suplemento vitamínico (modelo 2). Os testes foram realizados no IBM SPSS Statistics, versão 22.0. Utilizando-se o nível de significância de 5%. Resultado: A amostra final contou com 7.617 indivíduos, sendo que 13,2% relataram diagnóstico de depressão, 67,9% eram mulheres, 54,3% possuíam graduação ou especialização stricto sensu e 62,9% recebiam 7 ou mais salários mínimos. Foram extraídos três padrões, com variância explicada de 43,72% e Kaiser-Mayer-Olkin de 0,676. O Padrão 2 rico em proteínas, vitamina B12, colesterol, zinco, vitamina D, vitamina B3, gordura saturada, cálcio e pobre em flavon-3-ol, carboidratos, ômega 3, ômega 6, fibras, vitamina B9 associou positivamente a depressão no subgrupo de participantes com IMC < 25 kg/m² (RP = 1,399; IC 95% = 1,009 - 1,939; p-valor = 0,044). Por outro lado, o Padrão 3 rico em ácidos graxos poli-insaturados, ômega 6, selênio, lipídio, ômega 3 e ácidos graxos monoinsaturados e pobres em flavanonas e vitamina B1 demonstrou efeito protetor na amostra geral (RP = 0,754; IC 95% = 0,599 - 0,948; p-valor = 0,016) e em subgrupos específicos: mulheres (RP = 0,610; IC 95% = 0,408 - 0,914; p-valor = 0,016), indivíduos com IMC ≥ 30 kg/m² (RP = 0,549; IC 95% = 0,306 - 0,984; p-valor = 0,044), fisicamente inativos (RP = 0,742; IC 95% = 0,558 - 0,986; p-valor = 0,040) e que não faziam uso de antidepressivos (RP = 0,715; IC 95% = 0,548 - 0,933; p-valor = 0,013) mesmo após o ajuste para variáveis de confusão. Os participantes com maior adesão ao Padrão 3 tinham maior consumo de hortaliças, frutas, tubérculos, oleaginosas, castanhas, nozes e cereais. Conclusão: Neste estudo, observou-se associação significativa entre os padrões de nutrientes 2 e 3 e a prevalência de depressão em participantes do CUME+. Esses achados reforçam a importância de considerar a composição dietética em estratégias de prevenção e manejo da depressão, especialmente em determinadas subpopulações.
Discente:
João Vitor Moraes dos Santos
Orientador:
José Luiz Marques Rocha
Fernanda de Carvalho Vidigal
Data da defesa:
20/02/2026.
Horário:
09h00.
Webconferência:
https://meet.google.com/qcf-ween-wsa
