Defesa de dissertação – Marina Reuter Pierote

Título do trabalho:
“Apreciação corporal e a associação entre o comportamento alimentar materno e a seletividade alimentar em crianças com Transtorno do Espectro Autista"
Resumo:
Introdução: O diagnóstico e tratamento do TEA nos filhos impõem fatores estressores aos cuidadores, principalmente às mães, que geralmente assumem o papel de cuidadora principal. Essa sobrecarga materna tem sido associada a alterações no comportamento alimentar, tal como o comer emocional, e a uma imagem corporal negativa. Tendo em vista que as crianças espelham hábitos dos pais, o comportamento alimentar materno pode influenciar nos hábitos e comportamentos dos filhos, contribuindo para um quadro de seletividade alimentar. Objetivo: Avaliar os fatores associados à apreciação corporal em mães de crianças autistas, e investigar se o comportamento alimentar materno impacta na seletividade alimentar da criança com TEA. Método: O estudo incluiu 143 participantes residentes no Espírito Santo, Brasil, mães de crianças com diagnóstico médico de TEA até 12 anos incompletos. A coleta de dados foi realizada por meio de questionário online com instrumentos autoaplicáveis, contendo dados sociodemográficos, clínicos, de hábitos de vida, estado nutricional, apreciação corporal, autocompaixão e alimentação emocional das mães, além de dados sociodemográficos e clínicos da criança. Os dados foram analisados no software JASP, versão 18.0. Resultados: Participaram do estudo 143 mães, sendo 47,2% da faixa etária entre 30-39 anos. A maior parte vivia com companheiro, era de raça/cor preta ou parda, com curso superior/pós- graduação, exercia atividade profissional e relatou renda de até 2 salários mínimos. Praticar atividade física (p = 0,044), ter filho com TEA com idade superior a 6 anos (p = 0,016) e maior escore de autocompaixão (p <0,001) foram preditores de maior apreciação corporal. Por outro lado, maior Índice de Massa Corporal (IMC) (p = 0,005) e maior escore de alimentação emocional (p <0,001) foram preditores de menor apreciação corporal. Mães que relataram fazer ou ter feito dieta restritiva para emagrecimento apresentaram três vezes mais chances (OR = 3,052; p = 0,028) de ter filhos com seletividade alimentar. A mãe ter estudado até o ensino superior/pós-graduação atuou como um fator protetor, reduzindo em 72% as chances desse comportamento na criança (p = 0,040). Conclusão: A apreciação corporal materna é favorecida pela atividade física e autocompaixão, sendo prejudicada pelo comer emocional e IMC elevado. A prática de dieta restritiva da mãe está diretamente associada à seletividade dos filhos, e o nível educacional superior atuou como fator protetor, trazendo novas perspectivas sobre o impacto socioeconômico no contexto do TEA.
Discente:
Marina Reuter Pierote
Orientador:
Fabíola Lacerda Pires Soares
Data da defesa:
31/03/2026.
Horário:
13h30.
Webconferência:
https://meet.google.com/ khs-rtuf-vaq
